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Comunicação Científica nas Redes Sociais
Scientific Communication on Social Media
Rafael dos Santos Moreira
rafaelsmoreira@hotmail.com
https://orcid.org/0009-0002-1237-8345
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia
Brasil
Artículo recibido: 12/03/2024
Aceptado para publicación: 14/04/2024
Conflictos de Intereses: Ninguno que declarar
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RESUMO
O presente artigo tem como objetivo analisar e sistematizar a produção científica
recente sobre a comunicação científica nas redes sociais, identificando seus principais
enfoques teóricos, estratégias comunicacionais, contribuições e desafios em contextos
digitais contemporâneos. Para isso, foi desenvolvida uma revisão narrativa e integrativa
da literatura, com critérios explícitos de busca, seleção e análise. A busca foi realizada
em bases de dados acadêmicas internacionais e regionais, aplicando critérios de inclusão
e exclusão previamente definidos. A análise das informações foi conduzida por meio de
uma abordagem qualitativa e análise temática, organizando os resultados em cinco
categorias analíticas. Os achados evidenciam uma diversidade de marcos teóricos (do
modelo de déficit aos enfoques dialógicos e de plataformização da ciência) e uma
marcante diversificação de estratégias e formatos comunicacionais nas redes sociais.
Identificam-se contribuições significativas para a democratização do acesso ao
conhecimento, a visibilidade social da ciência e a promoção da ciência aberta. No entanto,
também se destacam desafios relevantes, como a desinformação, a simplificação
excessiva de conteúdos científicos e a necessidade de maior formação comunicacional
dos cientistas.
Palavras-chave: comunicação científica; redes sociais digitais; divulgação do
conhecimento
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ABSTRACT
This article aims to analyze and systematize recent scientific production on
scientific communication on social media, identifying its main theoretical approaches,
communication strategies, contributions, and challenges in contemporary digital contexts.
To this end, a narrative and integrative literature review was conducted, with explicit
search, selection, and analysis criteria. The search was carried out in international and
regional academic databases, applying previously defined inclusion and exclusion
criteria. Data analysis was performed using a qualitative approach and thematic analysis,
organizing the findings into five analytical categories. The results reveal a diversity of
theoretical frameworks (from the deficit model to dialogical and phantomization
approaches) and a marked diversification of communication strategies and formats on
social media. Significant contributions are identified for the democratization of access to
knowledge, the social visibility of science, and the promotion of open science. However,
relevant challenges also stand out, such as misinformation, the excessive simplification
of scientific content, and the need for greater communication training among scientists.
Keywords: scientific communication; digital social media; knowledge
dissemination
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INTRODUÇÃO
A comunicação científica tem experimentado profundas transformações nas últimas
décadas como resultado do avanço das tecnologias digitais e da consolidação da Internet
como principal ecossistema informacional global. Tradicionalmente, a difusão do
conhecimento científico era realizada por meio de canais formais e altamente
especializados, como revistas acadêmicas, congressos científicos e livros especializados,
direcionados principalmente a comunidades de especialistas (Bourdieu, 2004; Garvey &
Griffith, 1971). No entanto, o surgimento de plataformas digitais interativas ampliou
significativamente os espaços, formatos e públicos da comunicação científica,
favorecendo uma circulação mais aberta, rápida e descentralizada do conhecimento
(Borgman, 2007; Tenopir et al., 2019).
Nesse contexto, as redes sociais digitais tornaram-se cenários-chave para a comunicação
científica contemporânea, ao permitir a interação direta entre pesquisadores, instituições
científicas, meios de comunicação e audiências não especializadas. Plataformas como
Twitter/X, Facebook, Instagram, YouTube, LinkedIn e TikTok são cada vez mais
utilizadas para divulgar resultados de pesquisa, debater achados científicos, disseminar
conteúdos acadêmicos e promover a ciência aberta (Sugimoto et al., 2017; van Dijck,
2013). Esse fenômeno redefiniu os limites entre comunicação científica, divulgação
científica e comunicação pública da ciência, gerando novas dinâmicas de produção,
circulação e apropriação do conhecimento (Bucchi & Trench, 2021).
A comunicação científica nas redes sociais também se insere no contexto de uma
mudança paradigmática em direção a modelos mais participativos e dialógicos da ciência.
Diferentemente do modelo tradicional de déficit, que concebia a cidadania como
receptora passiva do conhecimento produzido por especialistas, os enfoques
contemporâneos enfatizam a interação, o diálogo e a coprodução de saberes entre
cientistas e sociedade (Irwin, 2008; Lewenstein, 2003). Nesse sentido, as redes sociais
facilitam espaços de intercâmbio horizontal onde o conhecimento científico pode ser
questionado, reinterpretado e contextualizado por diferentes audiências, contribuindo
para uma ciência mais aberta e socialmente comprometida (Jasanoff, 2003; Stilgoe et al.,
2014).
Sob uma perspectiva comunicacional, as redes sociais introduzem lógicas específicas que
influenciam a forma como a ciência é apresentada e percebida. A brevidade das
mensagens, a centralidade do conteúdo visual, o uso de narrativas emocionais e a lógica
algorítmica de visibilidade condicionam os formatos e estilos da comunicação científica
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nesses ambientes (Papacharissi, 2015; van Dijck & Poell, 2013). Essas características
colocam desafios relevantes para a fidelidade do conteúdo científico, o rigor informativo
e a interpretação adequada dos resultados de pesquisa, especialmente quando se busca
alcançar públicos amplos e heterogêneos (Scheufele & Krause, 2019).
A crescente presença de cientistas e instituições acadêmicas nas redes sociais deu origem
ao desenvolvimento de métricas alternativas para avaliar o impacto da pesquisa,
conhecidas como altmetrics. Essas métricas consideram interações como menções,
compartilhamentos, comentários e visualizações em plataformas digitais,
complementando os indicadores tradicionais baseados em citações acadêmicas (Priem et
al., 2012; Bornmann, 2014). Embora as altmetrics ofereçam novas possibilidades para
medir a visibilidade social da ciência, também geram debates sobre sua validade, sua
relação com a qualidade científica e seu potencial influência nas práticas de pesquisa
(Sugimoto et al., 2017; Haustein, 2016).
A comunicação científica nas redes sociais também está fortemente vinculada ao
movimento da ciência aberta, que promove o acesso livre ao conhecimento, a
transparência dos processos científicos e a participação cidadã na pesquisa (European
Commission, 2016; Vicente-Sáez & Martínez-Fuentes, 2018). As redes sociais
funcionam como ferramentas estratégicas para difundir artigos em acesso aberto,
compartilhar dados de pesquisa e fomentar a colaboração interdisciplinar e internacional,
contribuindo para democratizar o acesso à informação científica (Piwowar et al., 2018;
Tennant et al., 2016).
No entanto, o uso das redes sociais para a comunicação científica não está isento de
tensões e riscos. A circulação acelerada de informações, a simplificação excessiva de
conteúdos complexos e a coexistência de informação científica com desinformação e
pseudociência representam desafios significativos para a credibilidade da ciência em
ambientes digitais (Allgaier, 2019). Em particular, a pandemia de COVID-19 evidenciou
tanto o potencial das redes sociais para a rápida disseminação de informação científica
quanto seu papel na propagação de rumores, notícias falsas e discursos anti científicos
(Cinelli et al., 2020; Vosoughi et al., 2018).
Do ponto de vista institucional, universidades, centros de pesquisa e organismos
científicos têm incorporado progressivamente as redes sociais em suas estratégias de
comunicação e divulgação. Essas instituições buscam fortalecer sua visibilidade pública,
legitimar sua produção científica e estabelecer vínculos mais próximos com a sociedade
(Rowe & Brass, 2011). No entanto, a profissionalização da comunicação científica nas
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redes sociais requer competências específicas em comunicação digital, narrativa
transmídia e alfabetização midiática, tanto para cientistas quanto para comunicadores
institucionais (Trench & Bucchi, 2010).
No âmbito educacional, a comunicação científica nas redes sociais adquire uma
relevância particular, uma vez que essas plataformas são amplamente utilizadas por
estudantes e jovens pesquisadores. O uso das redes sociais como ferramentas de apoio à
aprendizagem e à divulgação científica pode favorecer o desenvolvimento de
competências informacionais, pensamento crítico e participação acadêmica, desde que
sejam integradas de forma reflexiva e pedagógica (Greenhow & Lewin, 2016; Veletsianos
& Kimmons, 2016). Além disso, as redes sociais permitem tornar visíveis processos de
pesquisa em tempo real, aproximando a ciência de contextos educacionais formais e
informais (Lupton, 2014).
Sob uma perspectiva sociocultural, a comunicação científica nas redes sociais contribui
para a construção da imagem pública da ciência e dos cientistas. A forma como são
apresentados os achados, as trajetórias pessoais e os valores associados à atividade
científica influencia a confiança social na ciência e a percepção de sua relevância para a
vida cotidiana (Fahy & Nisbet, 2011; Peters et al., 2008). Nesse sentido, as redes sociais
permitem humanizar a figura do cientista, mostrando o processo por trás dos resultados e
fomentando uma relação mais próxima com a cidadania (Dunwoody, 2014).
No entanto, essa exposição pública também pode gerar riscos, como a polarização, o
assédio digital e a instrumentalização política da ciência. Pesquisadores que participam
ativamente nas redes sociais podem estar expostos a ataques pessoais, campanhas de
deslegitimação ou pressões externas que afetam sua liberdade acadêmica e seu bem-estar
profissional (Veletsianos et al., 2018). Por isso, torna-se fundamental analisar
criticamente as condições, limites e responsabilidades da comunicação científica nesses
ambientes digitais.
Em termos metodológicos, o estudo da comunicação científica nas redes sociais requer
abordagens interdisciplinares que integrem contribuições da comunicação, da sociologia,
da ciência, dos estudos de mídia digital e da bibliometria. A análise de conteúdo, a análise
de redes sociais, os estudos de caso e as metodologias mistas permitem compreender as
dinâmicas de interação, circulação e recepção da ciência em plataformas digitais
(Kietzmann et al., 2011). Essas abordagens contribuem para uma compreensão mais
abrangente do impacto social da comunicação científica na era digital.
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A crescente centralidade das redes sociais na comunicação científica coloca a necessidade
de refletir sobre critérios éticos, normativos e formativos que orientem essas práticas. A
responsabilidade na divulgação da informação, a transparência em relação a conflitos de
interesse e o compromisso com a qualidade científica são aspectos fundamentais para
fortalecer a confiança blica na ciência (Resnik, 2011; National Academies of Sciences,
Engineering, and Medicine, 2017). Nesse contexto, analisar a comunicação científica nas
redes sociais torna-se essencial para compreender os desafios e oportunidades que a
ciência enfrenta em sociedades cada vez mais mediadas e digitalizadas.
Fundamentação Teórica
A comunicação científica nas redes sociais fundamenta-se em um arcabouço teórico
interdisciplinar que articula contribuições da sociologia da ciência, dos estudos de
comunicação, da cultura digital e da divulgação científica. Um dos enfoques centrais é o
da comunicação pública da ciência, que analisa os processos pelos quais o
conhecimento científico circula fora dos ambientes estritamente acadêmicos e se
relaciona com a sociedade em geral (Bucchi & Trench, 2014; Lewenstein, 2003). Nessa
perspectiva, a comunicação científica não se limita à transmissão de informação, mas
envolve processos de interpretação, negociação de significados e construção de
confiança.
Um marco teórico relevante é a superação do denominado modelo de déficit, que
concebia a cidadania como carente de conhecimento científico e a comunicação como um
processo unidirecional dos especialistas para o público. Em contraposição, os modelos
dialógicos e participativos enfatizam a interação, o diálogo e a coprodução de saberes,
reconhecendo o papel ativo das audiências na apropriação do conhecimento científico
(Irwin, 2008; Stilgoe et al., 2014). As redes sociais digitais alinham-se a esses enfoques
ao facilitar espaços de intercâmbio horizontal entre cientistas e sociedade.
A partir dos estudos da cultura digital, as plataformas de redes sociais são compreendidas
como ambientes sociotécnicos governados por lógicas algorítmicas que influenciam a
visibilidade e a circulação dos conteúdos. Autores como van Dijck e Poell (2013)
destacam que essas plataformas operam sob princípios de popularidade, conectividade e
monetização, o que impacta diretamente nos formatos narrativos e nas estratégias de
comunicação científica. Nesse contexto, a ciência precisa adaptar-se a linguagens breves,
visuais e emocionalmente atrativas, sem perder rigor nem precisão conceitual
(Papacharissi, 2015).
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A teoria da ciência aberta constitui um eixo fundamental para compreender a
comunicação científica nas redes sociais. Esse enfoque promove o acesso aberto a
publicações, dados e processos de pesquisa, bem como maior transparência e participação
social na ciência (Vicente-Sáez & Martínez-Fuentes, 2018; Tennant et al., 2016). As redes
sociais funcionam como ferramentas-chave para divulgar pesquisas em acesso aberto e
fomentar comunidades científicas mais colaborativas e globais (Piwowar et al., 2018).
Por fim, as contribuições da bibliometria e das altmetrics permitem analisar o impacto
social da comunicação científica em ambientes digitais. As métricas alternativas ampliam
a noção tradicional de impacto científico ao considerar interações em redes sociais,
oferecendo indicadores complementares de visibilidade e alcance social do conhecimento
(Priem et al., 2012; Bornmann, 2014). No entanto, esses enfoques também alertam para
a necessidade de interpretar criticamente tais indicadores e evitar seu uso acrítico como
sinônimo de qualidade científica (Haustein, 2016).
Problemática
Apesar das oportunidades oferecidas pelas redes sociais para a comunicação científica,
sua utilização apresenta uma série de problemáticas que exigem uma análise crítica e
sistemática. Uma das principais tensões relaciona-se com a simplificação excessiva de
conteúdos científicos complexos. A lógica de imediatismo e brevidade que caracteriza as
redes sociais pode conduzir à perda de nuances, a interpretações equivocadas e à
descontextualização dos resultados de pesquisa (Scheufele & Krause, 2019; Allgaier,
2019).
Outra problemática central é a coexistência de informação científica com desinformação
e pseudociência nos mesmos ambientes digitais. Estudos recentes demonstram que
conteúdos falsos ou sensacionalistas tendem a se disseminar mais rapidamente do que
informações cientificamente validadas, devido a fatores emocionais e algorítmicos
(Vosoughi et al., 2018; Cinelli et al., 2020). Essa situação enfraquece a credibilidade da
ciência e dificulta a tomada de decisões informadas por parte da cidadania, especialmente
em contextos de crises sanitárias, ambientais ou sociais.
Nem todos os cientistas possuem formação em comunicação digital, o que pode limitar a
eficácia e a qualidade de suas intervenções nas redes sociais. A ausência de competências
comunicacionais específicas pode resultar em mensagens pouco claras, controvérsias
desnecessárias ou interpretações equivocadas dos resultados científicos (Trench &
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Bucchi, 2010). Isso evidencia a necessidade de integrar a comunicação científica como
uma competência transversal na formação acadêmica e investigativa.
Sob uma perspectiva institucional, muitas organizações científicas carecem de estratégias
sistemáticas para a comunicação em redes sociais, o que gera uma presença fragmentada
e pouco coerente. Além disso, a avaliação acadêmica tradicional continua privilegiando
as publicações científicas formais, relegando a comunicação em redes sociais a um papel
secundário, apesar de seu crescente impacto social (Sugimoto et al., 2017).
A exposição pública de cientistas nas redes sociais também pode gerar riscos pessoais e
profissionais, como assédio digital, polarização ideológica e pressão midiática. Essas
dinâmicas podem afetar a liberdade acadêmica e desencorajar a participação ativa dos
pesquisadores na comunicação pública da ciência (Veletsianos et al., 2018). Em conjunto,
essas problemáticas evidenciam a necessidade de estudar de forma rigorosa as condições,
limites e desafios da comunicação científica nas redes sociais.
Objetivos e Perguntas de Pesquisa
Objetivo geral
Analisar a comunicação científica nas redes sociais a partir da produção científica
recente, com o objetivo de identificar seus principais enfoques teóricos, estratégias
comunicacionais, contribuições, limitações e desafios no contexto digital
contemporâneo.
Objetivos específicos
Examinar os marcos teóricos que sustentam o estudo da comunicação científica
nas redes sociais.
Identificar as principais estratégias e formatos utilizados para a difusão de
conteúdos científicos em plataformas digitais.
Analisar as contribuições da comunicação científica nas redes sociais para a
divulgação do conhecimento e para a relação ciência-sociedade.
Reconhecer as principais problemáticas, riscos e desafios associados a essas
práticas comunicacionais.
Perguntas de pesquisa
Quais são os principais enfoques teóricos utilizados para analisar a comunicação
científica nas redes sociais?
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Quais estratégias comunicacionais predominam na difusão de conteúdos
científicos em plataformas digitais?
Quais contribuições e benefícios a comunicação científica nas redes sociais
oferece para a divulgação científica e a participação cidadã?
Quais são os principais desafios e tensões enfrentados pela comunicação
científica nesses ambientes digitais?
METODOLOGIA
O presente estudo foi desenvolvido sob uma abordagem qualitativa, por meio de uma
revisão narrativa e integrativa da literatura, orientada a identificar, analisar e sintetizar a
produção científica recente relacionada à comunicação científica nas redes sociais. Esse
tipo de desenho mostra-se pertinente para examinar tendências teóricas, enfoques
metodológicos, estratégias comunicacionais e problemáticas emergentes em um campo
de estudo em expansão e de caráter interdisciplinar (Snyder, 2019), sem a pretensão de
esgotar exaustivamente a produção existente nem de seguir um protocolo de revisão
sistemática.
Desenho metodológico
A revisão concentrou-se em estudos empíricos e teóricos publicados em revistas
científicas arbitradas, com o objetivo de obter uma visão abrangente e atualizada da
comunicação científica nas redes sociais, sem se restringir a um único enfoque disciplinar.
A busca bibliográfica foi realizada em bases de dados acadêmicas internacionais e
regionais de reconhecido prestígio (Scopus, Web of Science, SciELO, Redalyc e Google
Scholar), selecionadas por sua cobertura nas áreas de ciências sociais, comunicação,
educação e estudos da ciência. A estratégia de busca combinou termos-chave em espanhol
e inglês, utilizando operadores booleanos (AND, OR): comunicação científica,
divulgação científica, redes sociais, social media, science communication, scientific
communication, digital platforms e public communication of science.
A busca priorizou publicações compreendidas entre 2019 e 2024, período que concentra
a evidência empírica central da revisão, com atenção especial à produção de 20222024.
Obras teóricas fundacionais anteriores a esse período são utilizadas ao longo de todo o
artigo, incluindo a discussão, para sustentar definições, modelos e categorias de análise;
as afirmações relativas a tendências contemporâneas apoiam-se preferencialmente na
literatura do período priorizado. Foram estabelecidos critérios explícitos de inclusão
(artigos publicados em revistas arbitradas, estudos empíricos, teóricos ou de revisão sobre
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comunicação científica nas redes sociais, em espanhol ou inglês, com acesso ao texto
completo) e de exclusão: documentos não arbitrados, estudos centrados exclusivamente
em marketing corporativo sem vínculo com a comunicação pública da ciência,
publicações duplicadas e artigos com informação insuficiente para a análise temática.
Procedimento de revisão
A leitura dos títulos, resumos e, quando necessário, dos textos completos permitiu
selecionar os estudos pertinentes e descartar aqueles que não atendiam aos critérios
definidos. A análise da informação foi realizada por meio de análise temática qualitativa
(Braun & Clarke, 2006), técnica que permitiu identificar padrões, categorias e relações
conceituais entre os textos revisados. O processo incluiu a leitura reiterada dos textos
selecionados, a codificação inicial das unidades de significado e a posterior agrupação
dos códigos em categorias analíticas, das quais resultaram cinco eixos: enfoques teóricos,
estratégias e formatos comunicacionais, contribuições, limitações e riscos, e implicações
para a ciência aberta e a educação.
Limitações metodológicas
Por tratar-se de uma revisão narrativa e não de uma revisão sistemática com protocolo
registrado, o processo de seleção não seguiu um diagrama de fluxo PRISMA nem
reportou contagens de registros identificados, duplicados ou excluídos; a transparência
do processo apoia-se na explicitação dos critérios de busca, inclusão e exclusão descritos
acima. A revisão também esteve circunscrita a determinadas bases de dados e períodos
temporais. Os descritores e os critérios de inclusão restringiram-se ao espanhol e ao
inglês, de modo que a produção publicada em português não foi recuperada de forma
sistemática; trata-se de uma limitação relevante para um objeto com produção
significativa em contextos lusófonos e latino-americanos.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Enfoques teóricos da comunicação científica nas redes sociais
A literatura consultada evidencia que a comunicação científica nas redes sociais se
sustenta em um conjunto heterogêneo de marcos teóricos que refletem o caráter
interdisciplinar e dinâmico do campo. Um dos resultados mais consistentes da revisão é
a convergência entre enfoques provenientes da comunicação pública da ciência, da
sociologia do conhecimento científico e dos estudos da cultura digital. Essa articulação
teórica permite compreender a comunicação científica não apenas como um processo de
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transmissão de informação, mas como uma prática social situada, atravessada por
relações de poder, mediações tecnológicas e contextos socioculturais específicos (Bucchi
& Trench, 2014; Jasanoff, 2003).
Um primeiro eixo teórico predominante corresponde à evolução do denominado modelo
de déficit para enfoques dialógicos e participativos da comunicação científica. Diversos
autores coincidem em indicar que o modelo de déficit, baseado na ideia de que a falta de
conhecimento científico é a principal causa da desconfiança ou rejeição social em relação
à ciência, mostra-se insuficiente para explicar as dinâmicas comunicacionais atuais em
ambientes digitais (Lewenstein, 2003; Irwin, 2008). Em contraste, as redes sociais
favorecem interações bidirecionais e multidirecionais, nas quais as audiências não apenas
consomem informação científica, mas também a comentam, reinterpretam e questionam,
configurando espaços de negociação de significados (Stilgoe et al., 2014).
Sob essa perspectiva, a comunicação científica nas redes sociais alinha-se a enfoques
construtivistas e socioconstrutivistas do conhecimento, que concebem a ciência como um
processo socialmente construído e contextualizado. Diversos autores destacam que a
circulação do conhecimento científico em plataformas digitais implica processos de
ressignificação, nos quais os conteúdos são adaptados a linguagens acessíveis, narrativas
visuais e formatos breves, sem que isso implique necessariamente perda de rigor, desde
que exista uma mediação comunicacional adequada (Fahy & Nisbet, 2011; Dunwoody,
2014). Esses achados reforçam a ideia de que a comunicação científica nas redes sociais
não deve ser avaliada apenas a partir de parâmetros tradicionais de divulgação, mas
considerando suas próprias lógicas.
Um segundo enfoque teórico relevante identificado na literatura está relacionado à cultura
participativa e à ecologia dos meios digitais. Autores como Jenkins et al. (2016) e van
Dijck (2013) sustentam que as redes sociais fazem parte de um ecossistema midiático
caracterizado pela convergência, conectividade e participação ativa dos usuários. Nesse
contexto, a comunicação científica integra-se a fluxos informativos mais amplos, nos
quais convive com conteúdos de entretenimento, opinião e ativismo. A literatura
consultada mostra que essa integração pode ampliar o alcance da ciência, mas também
exige adaptação estratégica às lógicas de visibilidade e circulação próprias das
plataformas (Papacharissi, 2015).
A teoria da plataformização da comunicação constitui outro aporte central para
compreender os resultados observados. Segundo van Dijck, Poell e de Waal (2018), as
plataformas digitais não são espaços neutros, mas infraestruturas governadas por
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algoritmos que priorizam determinados conteúdos com base em critérios de popularidade,
interação e rentabilidade. No âmbito da comunicação científica, isso implica que a
visibilidade dos conteúdos não depende exclusivamente de sua qualidade ou relevância
científica, mas também de sua capacidade de gerar engajamento. Diversos autores alertam
que essa lógica pode tensionar os princípios tradicionais da comunicação científica,
favorecendo conteúdos simplificados ou emocionalmente carregados (Allgaier, 2019).
A literatura também destaca o papel da ciência aberta como marco teórico fundamental
para interpretar a comunicação científica nas redes sociais. A ciência aberta promove
transparência, acesso livre ao conhecimento e participação social nos processos
científicos, valores que encontram nas redes sociais um canal privilegiado de difusão e
articulação (Vicente-Sáez & Martínez-Fuentes, 2018; Tennant et al., 2016). A síntese da
literatura mostra que numerosos estudos concebem as redes sociais como ferramentas
estratégicas para democratizar o acesso à ciência, facilitar a circulação de artigos em
acesso aberto e promover comunidades científicas mais inclusivas e colaborativas
(Piwowar et al., 2018). Evidência empírica recente reforça esse achado: artigos em acesso
aberto divulgados em redes sociais recebem significativamente mais cliques e maior
alcance do que artigos de acesso pago, benefício que se mantém em diferentes países (Li
et al., 2021).
Outro enfoque teórico recorrente é o da alfabetização científica e midiática, que analisa a
capacidade das audiências de interpretar criticamente a informação científica que circula
em ambientes digitais. Diversos autores afirmam que a comunicação científica nas redes
sociais deve ser compreendida em relação às competências informacionais dos usuários,
uma vez que a superabundância de informação e a coexistência de conteúdos científicos
e pseudocientíficos exigem habilidades críticas para avaliar a credibilidade das fontes
(Scheufele & Krause, 2019; Hobbs, 2010). Nesse sentido, a comunicação científica não
cumpre apenas uma função informativa, mas também formativa. A literatura mais recente
destaca ainda a emergência de novos atores, ambientes e práticas nesse campo
digitalizado, incluindo instituições, organizações e cidadãos que comunicam ciência fora
dos canais tradicionais, o que amplia e complexifica os marcos teóricos disponíveis para
compreender o fenômeno (Metag et al., 2023).
Estratégias e formatos de comunicação científica em plataformas digitais
A síntese realizada evidencia que as estratégias e formatos de comunicação científica nas
redes sociais apresentam uma marcante diversificação, estreitamente vinculada às
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características técnicas, discursivas e algorítmicas de cada plataforma digital. A literatura
revisada coincide em afirmar que a adaptação do conteúdo científico a esses ambientes
exige um equilíbrio complexo entre acessibilidade, atratividade comunicacional e rigor
epistemológico (Scheufele & Krause, 2019). Nesse sentido, a comunicação científica
deixa de ser um processo homogêneo para transformar-se em uma prática situada,
dependente do contexto midiático e do público-alvo.
Um dos achados mais recorrentes é o uso de formatos breves e fragmentados,
especialmente em plataformas como Twitter/X e Instagram. Diversos estudos destacam
que fios, micro postagens e resumos visuais permitem condensar achados científicos
complexos em mensagens acessíveis, favorecendo a circulação e o intercâmbio rápido de
informações (Sugimoto et al., 2017; Veletsianos & Kimmons, 2016). Contudo, diversos
autores alertam que essa fragmentação exige estratégias de contextualização que evitem
interpretações simplistas ou equivocadas do conhecimento científico (Scheufele &
Krause, 2019). Estudos recentes sobre o TikTok confirmam esse potencial: vídeos curtos
que resumem artigos científicos recebem o maior engajamento da audiência, e a maioria
dos seguidores relata maior confiança na ciência após acompanhar esse tipo de conteúdo
(Rein, 2023). De forma semelhante, no Instagram a divulgação científica enfrenta o
desafio de adaptar o discurso científico à lógica do conteúdo efêmero, exigindo mérito
narrativo-audiovisual e um perfil científico claramente definido para favorecer a
compreensão do público jovem (Muñoz-Gallego et al., 2023).
O uso de recursos visuais emerge como uma estratégia central na comunicação científica
digital. Infográficos, gráficos animados, ilustrações e vídeos curtos são amplamente
utilizados para facilitar a compreensão de conceitos abstratos e dados complexos (Bik &
Goldstein, 2013; McClain, 2017). A literatura consultada indica que conteúdos visuais
aumentam significativamente o nível de interação e retenção da informação,
especialmente em audiências não especializadas.
Outro formato relevante identificado é o storytelling científico, entendido como o uso de
narrativas para comunicar processos, resultados e experiências de pesquisa. A literatura
demonstra que narrativas pessoais e relatos sobre o processo científico contribuem para
humanizar a ciência, fortalecer a empatia e gerar maior interesse pelos conteúdos
científicos (Dahlstrom, 2014; Fahy & Nisbet, 2011).
Contribuições da comunicação científica nas redes sociais
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Diversos autores coincidem em afirmar que a comunicação científica nas redes sociais
oferece benefícios significativos tanto para a comunidade científica quanto para a
sociedade em geral. Um dos principais aportes identificados é a democratização do acesso
ao conhecimento científico, ao permitir que resultados de pesquisa e debates acadêmicos
ultrapassem os circuitos especializados e alcancem públicos mais amplos (Borgman,
2007; Bucchi & Trench, 2021).
As redes sociais funcionam como espaços de mediação entre ciência e cidadania,
favorecendo maior visibilidade social da pesquisa científica. Essa visibilidade contribui
para fortalecer a legitimidade social da ciência e posicioná-la como recurso relevante para
a compreensão de problemáticas contemporâneas, como saúde pública, mudanças
climáticas e tecnologia (Peters et al., 2008; Nisbet & Scheufele, 2009).
Limitações, riscos e desafios
Apesar dos aportes identificados, os resultados evidenciam múltiplas limitações e riscos
associados à comunicação científica nas redes sociais. Um dos principais desafios é a
desinformação, entendida como a disseminação de conteúdos falsos, imprecisos ou
pseudocientíficos que circulam junto à informação científica validada (Vosoughi et al.,
2018; Cinelli et al., 2020).
Outro risco relevante é a simplificação excessiva do conhecimento científico. A
adaptação a formatos breves pode levar à perda de nuances, incertezas e limitações
próprias da pesquisa científica, gerando interpretações reducionistas (Allgaier, 2019). Um
risco emergente adicional é a utilização de inteligência artificial generativa na produção
de conteúdo científico, a qual pode reproduzir imprecisões factuais e mitos científicos
amplamente disseminados quando não supervisionada por especialistas (Schäfer, 2023).
Implicações para a ciência aberta e a educação
Os resultados indicam que a comunicação científica nas redes sociais possui implicações
diretas para o fortalecimento da ciência aberta e dos processos educativos. No contexto
da ciência aberta, as redes sociais funcionam como canais estratégicos para divulgar
publicações em acesso aberto, dados de pesquisa e processos científicos de forma
transparente (Tennant et al., 2016; Piwowar et al., 2018).
Do ponto de vista educacional, essas plataformas favorecem a integração da ciência em
contextos de aprendizagem formal e informal, promovendo alfabetização científica e
midiática (Hobbs, 2010; Greenhow & Lewin, 2016). O acesso a conteúdos científicos
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atualizados e a possibilidade de dialogar com pesquisadores contribuem para uma
formação mais crítica e participativa.
No entanto, a literatura ressalta a necessidade de políticas institucionais e estratégias
pedagógicas que orientem o uso responsável das redes sociais na comunicação científica.
A formação em competências comunicacionais e éticas surge como um desafio central
para cientistas, docentes e instituições educativas (Bucchi & Trench, 2021).
Tabela 1. Síntese dos principais achados
CATEGORIA DE
ANÁLISE
EIXOS
ANALÍTICOS
PRINCIPAIS
PRINCIPAIS ACHADOS
AUTORES
REPRESENTATIVOS
1. Enfoques
teóricos da
comunicação
científica nas
redes sociais
Modelos de
comunicação
científica;
enfoques
participativos;
sociologia da
ciência; cultura
digital
Predomina o abandono do modelo
de déficit em favor de enfoques
dialógicos e participativos. A
comunicação científica é concebida
como uma prática social mediada
por plataformas digitais,
atravessada por lógicas
algorítmicas, relações de poder e
processos de construção social do
conhecimento. Reconhece-se o
papel ativo das audiências na
interpretação e ressignificação da
ciência.
Bucchi & Trench
(2014); Irwin (2008);
Jasanoff (2003); van
Dijck (2013); Stilgoe
et al. (2014); Metag
et al. (2023)
2. Estratégias e
formatos de
comunicação
científica em
plataformas
digitais
Formatos breves;
recursos visuais;
storytelling;
estratégias
transmídia;
adaptação às
plataformas
Identificam-se estratégias centradas
na brevidade, no uso intensivo de
recursos visuais e em narrativas
acessíveis. O storytelling científico
e as estratégias transmídia
favorecem a compreensão e o
engajamento. No entanto, a
visibilidade é condicionada por
algoritmos que priorizam a
interação, gerando tensões entre
atratividade comunicacional e rigor
científico.
Jenkins et al. (2016);
Bik & Goldstein
(2013); Papacharissi
(2015); Allgaier
(2019); Rein (2023);
Muñoz-Gallego et al.
(2023)
3.
Contribuições
da
comunicação
científica nas
redes sociais
Democratização
do conhecimento;
participação
cidadã;
visibilidade
científica;
impacto social
As redes sociais ampliam o acesso
ao conhecimento científico,
fortalecem o vínculo ciência-
sociedade e favorecem o diálogo
direto entre cientistas e audiências.
Contribuem para a visibilidade
social da ciência, para a
colaboração acadêmica e para o
desenvolvimento de indicadores
alternativos de impacto (altmetrics).
Borgman (2007);
Sugimoto et al.
(2017); Priem et al.
(2012); Peters et al.
(2008); Nisbet &
Scheufele (2009)
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CATEGORIA DE
ANÁLISE
EIXOS
ANALÍTICOS
PRINCIPAIS
PRINCIPAIS ACHADOS
AUTORES
REPRESENTATIVOS
4. Limitações,
riscos e
desafios
Desinformação;
simplificação
excessiva; lógica
algorítmica;
riscos para
cientistas
Evidenciam-se riscos associados à
circulação de desinformação e
pseudociência, amplificados pelas
dinâmicas algorítmicas. A
simplificação de conteúdos pode
gerar interpretações equivocadas.
Além disso, a exposição pública de
cientistas envolve riscos como
polarização, assédio digital e
pressão midiática.
Vosoughi et al.
(2018); Cinelli et al.
(2020); Scheufele &
Krause (2019);
Veletsianos et al.
(2018); Schäfer
(2023)
5. Implicações
para a ciência
aberta e a
educação
Ciência aberta;
alfabetização
científica;
educação formal
e informal;
competências
digitais
As redes sociais atuam como
ferramentas estratégicas para a
ciência aberta, facilitando o acesso
livre a publicações e dados. No
âmbito educacional, contribuem
para o desenvolvimento da
alfabetização científica e midiática,
embora exijam políticas
institucionais e formação específica
em comunicação e ética digital.
Tennant et al. (2016);
Piwowar et al.
(2018); Greenhow &
Lewin (2016); Hobbs
(2010); Bucchi &
Trench (2021); Li et
al. (2021)
Fonte: Elaboração própria.
CONCLUSÕES
Esta revisão narrativa e integrativa permitiu sistematizar a produção científica recente
sobre a comunicação científica nas redes sociais, identificando seus principais enfoques
teóricos, estratégias comunicacionais, contribuições e desafios. Os resultados evidenciam
um campo teoricamente heterogêneo, no qual convergem a comunicação pública da
ciência, a sociologia do conhecimento e os estudos da cultura digital, com uma transição
visível do modelo de déficit para enfoques dialógicos, participativos e centrados na
plataformização da ciência.
No plano das estratégias comunicacionais, a literatura consultada aponta uma marcante
diversificação de formatos (fios e micro postagens, recursos visuais e storytelling
científico), adaptados às lógicas próprias de cada plataforma. Entre as contribuições mais
consistentes destacam-se a democratização do acesso ao conhecimento, o fortalecimento
da visibilidade social da ciência e a promoção da ciência aberta. Ao mesmo tempo, a
revisão identifica riscos relevantes: a desinformação e a pseudociência, a simplificação
excessiva de conteúdos complexos e a necessidade de maior formação comunicacional e
ética para cientistas e instituições educativas.
Página | 45
Do ponto de vista da ciência aberta e da educação, as redes sociais mostram-se canais
estratégicos para divulgar publicações em acesso aberto e dados de pesquisa, além de
favorecer a alfabetização científica e midiática em contextos formais e informais de
aprendizagem. Contudo, a literatura ressalta que esses benefícios dependem de políticas
institucionais e estratégias pedagógicas que orientem um uso responsável dessas
plataformas.
O presente artigo apresenta limitações inerentes ao seu desenho metodológico: por tratar-
se de uma revisão narrativa, e não de uma revisão sistemática com protocolo registrado,
não é possível reportar um número exato de estudos identificados ou excluídos, e a busca
esteve circunscrita a determinadas bases de dados, períodos temporais e idiomas, o que
pode ter deixado de fora investigações relevantes publicadas em outros contextos ou
formatos. Como linhas futuras de pesquisa, destacam-se a realização de revisões
sistemáticas com protocolo registrado, estudos comparativos entre disciplinas e
plataformas, e avaliações empíricas de impacto a médio e longo prazo sobre a
comunicação científica nas redes sociais.
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